Grão-Mestre Moy Yat, meu “Si Gung”, lançou na década de 80, um importante vídeo chamado “Stories of Zen”, no qual narrava pessoalmente diversas estórias que conduziam os praticantes a uma reflexão e compreensão maior de sua própria jornada.

O LADRÃO E O DISCÍPULO

“Um monge tranquilamente meditava em sua casa quando, de repente, um ladrão com uma arma em punho invaidu sua sala e disse aos gritos:

– Isso é um assalto ! Levante daí senão…

O monge firmemente interrompeu o ladrão dizendo:

-Não seja mal educado, rapaz…E também não fale tão alto na casa das pessoas! Siga esse corredor até meu quarto, você vai ver um saco com moedas. No armário tem também algumas roupas e objetos.Pegue lá o que você precisa e não faça muita bagunça.

O ladrão foi até o quarto e,para sua surpresa,realmente encontrou o saco com as moedas,as roupas e alguns objetos pessoais. Rapidamente pegou tudo o que podia e quando estava quase deixando a casa o monge o chamou:

-Ei,rapaz! Você pegou tudo? Não seja tão egoísta…Deixe um pouquinho de dinheiro,pois preciso pagar o aluguel.Deixe também algumas roupas.

Achando muito estranha a postura do monge e sem querer perder mais tempo, o ladrão deixou algumas moedas,roupas e quando já estava para sair,mais uma vez foi chamado:

-Ei rapaz! Você não vai agradecer,nem dizer tchau?

Com a absoluta certeza de que o monge era mesmo louco,o ladrão agradeceu, se despediu e saiu correndo.

Dias depois,a policia local acabou por prender o bandido e como este trazia consigo os pertences do monge,levou-o até ele para reconhecimento:

-O senhor conhece esse homem?

-Sim, claro que conheço. – disse o monge.

– Foi ele quem roubou suas coisas, certo?

– De forma alguma.Eu é que as dei a ele!E esse bom moço nem levou tudo, deixou dinheiro e roupas pra mim.Eu próprio disse onde estava e o orientei onde pegar.No fim ele se despediu e  até me agradece…

-Então o senhor vai me dizer que este homem não é um ladrão? – perguntou incrédulo o policial.

-Claro que não. Ele é meu discípulo!

Como o ladrão  havia furtado também outras pessoas, apesar da defesa enfática do monge,este ficou preso por um longo período.

Durante todos aqueles anos, o homem tentou entender a atitude do monge.

Ao sair,sua primeira providência foi voltar a este para se desculpar.

Chegando a casa, viu o monge no mesmo local do primeiro encontro.Esperou pacientemente ele acabar sua meditação e após inúmeros pedidos de desculpas, finalmente perguntou ao monge:

-Por que o senhor mentiu ao policial dizendo que eu era seu discípulo?

Observando que o jovem rapaz estava sendo honesto em sua questão, repondeu:

-Todos os discípulos no começo são como ladrões.Chegam para “roubar” algo que o mestre possui.Normalmente,o conhecimento. Costumam também,usar uma arma para isso.Normalmente, o dinheiro. O que faço com eles, é o que fiz com você… Mostro que tudo o que precisam está disponível, ensino a serem educados, e não esquecerem de sempre deixar algo também. Por fim e mais importante, ensino a serem gratos.Você não fez nada de diferente de todos os outros.

-Então o senhor me aceitaria mesmo como seu discípulo? – Perguntou o rapaz.

-Eu já havia aceito desde o seu primeiro pedido. – disse sorrindo o monge.

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